Mercado & Malagueta

Finanças, Economia e seus temperos. Por Gabriela Pereira.

Archive for the ‘Crédito’ Category

Feb-18-08

O Subprime ainda assusta

posted by Bia

A crise financeira mundial parece estar longe de dar sinais definitivos de resolução, vide a entrevista de hoje dada por Ben Bernanke, na qual o presidente do banco central americano - FED - admitiu a existência de perigosos riscos associados ao mercado imobiliário e ao de crédito.

Diante de especulações a respeito desta entrevista e atendendo ao pedido do Alfredo Said no último post, é relavante explicar o que significa subprime e o ciclo de avaliação de crédito que deixou o mercado nas condições atuais.

Subprime é uma classificação que se dá a um tomador pessoa física com uma história creditícia limitadora e/ou questionável (os limites podem incluir desde históricos de atrasos até problemas de bloqueios antigos de bens). Essa classificação é feita numa escala de pontos dados chamada de Credit Score. Ao se chegar a um resultado, verifica-se, por exemplo, se um empréstimo vai ser concedido ou não a uma pessoa e/ou determinar o montante a ser financiado. Aproximadamente 25% das hipotecas são classificadas como subprime.fallinghouse

De vez em quando alguns tomadores podem ser classificados como subprime apesar de terem um bom histórico de crédito. A razão é que os tomadores não providenciam documentos de comprovação de receitas ou de ativos durante o processo de avaliação. Portanto, o subprime permite acesso de pessoas ao crédito para obter carros, imóveis e cartões de crédito mediante detalhes como altas taxas de juros, taxas excessivas e curtos períodos de financiamento.

A crise se deu quando, no começo de 2006, com taxas de juros crescentes para hipotecas que muitos empréstimos tiveram um atraso maior no pagamento, diminuindo o lucro dos bancos americanos.

Sem a possibilidade de refinanciamento muitos tomadores continuaram com os atrasos em 2007 e os bancos - para não aumentar o prejuízo - passaram a diminuir sua participação no mercado de financiamento, gerando uma crise de oferta e demanda na área, pois além da linha tomada originalmente, produtos derivados como seguros estão inclusos nos montantes do subprime. Estes seguros, vendidos no mercado secundário, foram usados a ponto de contar bilhões de dólares em obrigações de dívida com grande possibilidades de não serem pagas.

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Hoje, ao entrar no site do Banco Central do Brasil para ver a PTAX de ontem, gostei de ver que a instituição promove (mas deveria divulgar mais)

palestras gratuitas sobre finanças e economia em algumas cidades do país ao longo do ano, basta se inscrever com antecedência.

Infelizmente a palestra que me chamou atenção para este mês (Microcrédito, Cooperativismo e Inclusão Social) só acontecerá em Brasília e no dia 21 de setembro das 14h30min às 17h e, espero que não seja tendencioso para falar da atuação governamental.

O microcrédito é um mercado arriscado sob o ponto de vista dos grandes bancos já que o desafio é evitar a inadimplência (cada vez maior no Brasil - explicar os motivos que levam a inadimplência poderá ser um tema para outro post), mas sinal de que a capacidade financeira e a tendência de estabilidade econômica dos últimos anos tem proporcionado um aumento da renda de mais pessoas - lembrando das aulas de Introdução a Economia na faculdade.

Embora o assunto seja interessante - vide que o último prêmio Nobel da Paz foi para Muhammad Yunus  (que promoveu o microcrédito em Bangladesh) - eu me pergunto: quem em Brasília tem tempo para assistir uma palestra dessas?

Entâo, se você mora ou estará em Brasília no dia, tem interesse e tempo, por favor me escreva no mercadoemalagueta@gmail.com e conte. Adoraria saber como são as palestras, principalmente esta em questão.

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Aug-30-07

Crise no Crédito - Como acontece?

posted by Bia

A maioria dos investidores que conheço gosta muito de falar de ações, fundos, bolsa etc mas raramente vejo manifestações sobre crédito - embora as grandes corporações utilizem de linhas de crédito nacionais e internacionais provenientes principalmente de grandes instituições financeiras - mas desde o começo da crise nos Estados Unidos, parece que o crédito passou a ser interessante para conversas e análises. Finalmente o mercado está interessado na minha parte favorita de finanças!

Então, atendendo ao pedido de uma amiga minha, vou formalizar aqui os conceitos principais:

credito1

Uma crise no mercado de crédito - seja ele para pessoas físicas ou jurídicas, seja para setores específicos como o imobiliário - acontece quando existe uma falta de fundos a ponto de que tomadores (ou seja, quem pega dinheiro emprestado) tenham dificuldade em obter qualquer tipo de financiamento, empréstimo etc.

A crise em si começa quando quem tem dinheiro limita o montante disponível para empréstimos ou o custo de emprestar dinheiro a juros não é atraente para quem vai conceder. Acontece quando as instituições financeiras sofreram perdas ou prejuízos com financiamentos no passado recente, quando há atraso e inadimplência de pagamentos e quando os bancos são forçados a vender seus ativos (seja sua carteira, sejam bens - depende da estratégia) de modo a ter o mínimo de prejuízo.

Também pode acontecer quando instituições controladoras padronizam regras de liquidez de ativos em relação ao risco (ou melhor, quando, por exemplo, o Bacen estabelece um percentual para o depósito compulsório - conceito bem resumido aqui) e os bancos acabam por aumentar suas reservas de capital.

De fato, uma crise deste tipo pode prejudicar a economia de um pais ou de vários, já que muitas empresas utilizam de crédito para financiar expansões, comprar matéria-prima, ter capital de giro, etc e, claro, algumas destas companhias podem fechar diante da impossibilidade de obter dinheiro no mercado (mesmo quando tem capacidade financeira em pagar o crédito), sem falar em recessões econômicas e subseqüentes falências.

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Nem bem publiquei o post sobre pesquisa de simulações de financiamento imobiliário, quando me deparo com um novo artigo mencionando dados sobre outros dois bancos que não contemplei.

 Assim, verifiquei seus simuladores com as mesmas informações do post anterior e constatei:

As prestações do Santander ficam entre as mais baixas, mas porque o prazo do financiamento pode ser somente a partir de 15 anos e com taxa de juros de 7,95%a.a.

Já o Banco do Brasil ofereceu uma taxa de 10,49% ao ano com prestações decrescentes, mas o saldo devedor do financiamento é reajustál a TR - o que pode ser um tanto arriscado.

Agora, se você está em busca de uma casa própria, pesquise ainda mais - existem outras opções como os consórcios - , converse com seu gerente e negocie sempre.

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Tenho visto algumas notícias de que as pessoas realmente têm entregue mais cedo suas declarações do Imposto de Renda este ano. Isso é uma boa notícia pois mostra que a internet facilitou e o cidadão em geral mudou um pouco aquela idéia de deixar para a última hora.

Claro que deixar para entregar a declaração do Imposto de Renda 2006 para a última hora faz com que, se você for receber algum montante de volta, não o receba mais rapidamente e vice-versa. Em tese.

Nunca se sabe o que se passa por trás do site da Receita Federal que carece de informações úteis ao contribuinte.

Também há pessoas que ao constatarem um montante a receber, acabam por escolher algumas das opções que os bancos fazem sobre antecipação de imposto. Cuidado! Antecipação de imposto de renda para bancos é só uma forma nova de empréstimo.

Você leva dentre outros documentos: o recibo de entrega, sua declaração em si - e se for correntista melhor! Ainda mais se você tiver inserido sua conta bancária deste banco para o recebimento da restituição - e toma emprestado até 70% do valor a ser restituído.

Por isso, lembre-se que qualquer empréstimo tem juros incidentes, além de existir o risco de você entrar num dos lotes finais de restituições/liberações - sem falar na Malha Fina - e acabar por ter mais juros para pagar.

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Mar-18-07

Disparidades imobiliárias?

posted by Bia

Passei anos ouvindo sobre a bolha imobiliária americana que estava prestes a estourar. As especulações e o crédito imobiliário de juros baixos nos Estados Unidos acabou valorizando demais os imóveis em quase todo país.

No Brasil, aparentemente está acontecendo o oposto do mercado americano. Ou será que a bolha brasileira está só começando?

As boas novas do mercado imobiliário, resultantes da nova regulamentação, de um mercado financeiro mais estável e de empresas da construção civil indo à bolsa para captação, parecem ser o assunto do momento. Mas vale mencionar: o risco de crédito ainda existe.

Para comprar um imóvel precisa-se de um bom planejamento financeiro - preparar-se para emergências - um controle maior de suas contas e alternativas de geração de renda, já que muitos brasileiros (pessoa física) ainda penam com custos de juros, preços altos, ”luxo” e risco de inadimplência - embutida nos financiamentos em que todos assumem os prejuízos de prováveis mau-pagadores.

As classes mais baixas pagam pela casa própria, construção e reforma à vista pois não há crédito formal para estas faixas salariais, muitas vezes derivadas de fonte de renda informal.

Então, apesar de muitas pessoas afirmarem que imóveis são um investimento “seguro”, por que especialistas financeiros falam tanto do benefício do aluguel?

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Vi outro dia uma entrevista do presidente do Serasa no canal da Bloomberg dizendo que achava pouco o fato de o Brasil só ter 33% do PIB em crédito PJ. Ele deveria estar comparando o percentual do Brasil com o dos Estados Unidos e de países fortes da União Européia para afirmar que o mercado brasileiro de crédito tem muito espaço para crescer.

Eu realmente questiono esta posição, já que vejo que além do crédito para pessoa jurídica, o crédito à pessoa física atrai cada vez bancos e outras instituições financeiras, mas o Brasil ainda não é capaz de ensinar como realmente usar o dinheiro de modo mais inteligente à maioria das pessoas, vide o fato de as taxas de inadimplência terem aumentado consideravelmente nos últimos anos. 

Há uma enorme gama de opções de se obter crédito, mas as pessoas estão cada vez mais endividadas, às vezes por não saber lidar com dinheiro, outras vezes por tomar empréstimos e financiamentos (dentre eles o famoso crediário de lojas de varejo, financiamento de bens, imóveis etc) que não conseguem pagar.

Se você está no vermelho, usando o limite do cartão de crédito e do cheque especial, pesquise a fundo as opções de re-financiamentos no mercado (pretendo escrever um post sobre cada modalidade ao longo do tempo). Renegocie suas dívidas sempre visando terminá-nas no menor tempo possível e/ou com as menores taxas de juros.

E, principalmente, não tenha receio de buscar soluções, de perguntar para outras pessoas como superaram suas crises monetárias. É fundamental enfrentar a situação e dispor-se a pagar do que ignorar e deixar a dívida aumentar cada vez mais diante dos juros do mercado (mesmo que a taxa básica de juros tenha diminuído esta semana).

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