A história tende a se repetir se as lições do passado forem esquecidas. Por isso, como filha de historiadora e profissional de finanas, li com muito prazer a sessão “Cartas de Leitores” do jornal Valor Econômico de 28-31/12/2007 e 01/01/2008, registrado na íntegra abaixo. Trata-se da opinião de Clarissa Alster - alster@usp.br - professora da USP, certificada pela CVM em 2007 - que, assim como eu, vê a empolgação da bolsa com cautela.
Petrobrás
“Está na moda a Petrobrás descobrir (ou redescobrir) poços de petróleo. Quem quiser acreditar nos dados e relatórios divulgados no dia 8 de novembro pela agência de notícias da Petrobrás, inclusive quanto à viabilidade tecnológica e econômica de se retirar - a curto prazo - petróleo e gás a sete quilômetros de profundidade, abaixo de uma espessa barreira de sal e distante 250 quilómetros da costa mais próxima, que acredite.
É sabido que a marca recorde de perfuração da Petrobras é 6.470 metros no sentido vertical, como publicado no Valor, em 12/08/2005. Uma reportagem da revista ‘Veja’, sob o título ‘Enfim, o petróleo estava lá’, publicada na edição de 15/3/1978, cuja capa era ‘Fraude na Bolsa’ (porque as ações subiram demais com a notícia), relatou o anúncio oficial, do então governo Ernesto Geisel, da descoberta de ‘indícios concretos’ da existência de óleo no pólo 1-SPS-9, operado pela BP (British Petroleum), na área de risco número 8, na bacia de Santos. Desconheço de qualquer comprovação.
Alguma semelhança com o anúncio oficial recente sobre as possibilidades petrolíferas do poço Tupi? O que eu sinceramente me pergunto é o que o Barão de Rothschild, caso fosse vivo, estaria provavelmente pensando em 2007: ora, se o momento da entrada na Bolsa de Valores é quando o sangue corre solto pelas ruas, e o momento de saída é quando existe a alta eufórica de preços, não seria, agora, o momento de se rever a proteção da carteira de ações já que o óleo está correndo solto pelas ruas?”
A capa na qual a autora se refere está ao lado. O detalhe do canto superior esquerdo revela a notícia.
Então, por que ainda se sugere a Petrobrás? Por que analistas e corretores não são céticos e investigativos antes de recomendar ações da Petrobrás? E, principalmente, o que será que a bolsa nos reserva em 2008, quando analistas que se esquecem:
- Aumento no volume de concessão ao crédito em relação ao PIB brasileiro;
- Índice de inadimplência;
- Subprime americano no ramo imobiliário e,
- Subprime brasileiro: os automóveis?
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