Inadimplência e Crise
O Banco Central liberou, no final de 2008, a composição do spread bancário do ano de 2007 em seu relatório sobre a economia bancária e de crédito, como se pode ver abaixo:

Os dados de inadimplência são realmente significativos e me levaram a questionar: se em 2007 a economia e o crédito estavam aquecidos, imagine o percentual para 2008 diante da crise de crédito e do aumento no desemprego?
Enquanto a abertura do spread de 2008 não é divulgada, a notícia que a Folha Online publicou hoje a respeito do crescimento da inadimplência de veículos, denota uma tendência de aumento no índice de inadimplência para 2008.
O artigo menciona um estoque de, pelo menos, 100 mil carros recuperados. Neste tipo de financiamento, o bem adquirido é a garantia da operação. Ou seja, o banco retoma o automóvel e revende.
A dificuldade atual dos bancos está exatamente em revender os veículos recuperados, já que o mercado de carros usados, ou semi-novos, se encontra saturado, com inédita queda nos preços e cuja consequente falta de liquidez implica em obstáculos significativos para retomar a venda de carros novos, como as montadoras têm almejado.

De fato, os principais bancos que financiam veículos relatam um volume de recuperação crescente entre 20% a 30% no início deste ano em relação a setembro de 2008, fruto do crescimento da inadimplência, que culminou na média de 4,3% em dezembro que, segundo o Banco Central, está é o maior nível desde 2002.
Como são 9 milhões o número de automóveis alienados no Brasil e como a cada 4 financiamentos inadimplentes, apenas 1 termina com a retomada, pode-se projetar que o número de inadimplentes cresceu consideravelmente.
Vale lembrar que financiamento de veículos é a parte mais significativa de crédito a Pessoa Física no Brasil (mais conhecido como CDC – Crédito Direto ao Consumidor) e, portanto, o nível de concessão em 2007 e 2008, quando o mercado estava aquecido, foi, no mínimo, exagerado e agora, a crise financeira mundial mostra exatamente isso.




